Esse espaço da Garimpo blog é destinado a textos em primeira pessoa, é um espaço onde eu me dei a liberdade de falar sobre o meu projeto e outros assuntos que eu achar pertinente. Tudo isso apenas como uma forma de treinar e aprimorar a minha escrita.
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Admito que hesitei por muito tempo em intitular essa parte como blog, por 2 motivos. Primeiro por que pensei a Garimpo para ser uma revista online e segundo por conta da má fama que a palavra “blog” pegou nos últimos tempos. Mas como tenho uma mente aberta, e olhos atentos sei que os blogs tem o seu espaço e são o futuro! As pessoas não querem mais textos impessoais, não querem mais ler textos gigantes com conteúdo técnico. Acho que a distância da internet tem feito com que as pessoas queiram se sentir cada vez mais próximas de quem escreve, por isso essa linguagem pessoal dos blogs ganhou seu espaço e é por isso que optei por ter esse blog da Garimpo, pois acho importante manter esse contato mais intimo, com essa liberdade de escrever como falo, com os vídeos, é isso que a maioria das pessoas quer hoje em dia, e não da pra contrariar a realidade, é fato, essa forma de comunicação vem ganhando cada vez mais público e consequentemente cada vez mais pessoas interessadas em escrever, independente do assunto.
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Por que estou dizendo essa coisas? Vou explicar, aconteceu o seguinte, uma colunista de um jornal em Vitória escreveu uma notinha sobre um almoço oferecido pelo Vitória moda (evento de moda que começa amanhã) para a imprensa e a mesma fez questão de destacar que nesse almoço não teve presença das blogueiras e continuou dizendo que isso não seria problema e que…“…todas as bloguetes de Vix passarão pelo centro de Convenções em Vitória durante o evento uma mais montada que a outra”.
bloguete montada
Achei que era só eu que havia sentido o tom pejorativo nas palavras “bloguete montada” mas depois de conversar com algumas pessoas percebi que foi essa a sensação de todas elas, tive um sentimento de desmerecimento com as blogueiras por parte dessa jornalista de coluna social. Não se sabe se a alfinetada foi direcionada especificamente para alguém, o que eu sei é que ficou feio e atingiu TODAS as mulheres capixabas que tem um blog. SIM, me senti de certa forma ofendida, e desqualificada por esse tom e pelo fato de eu ter um blog e no pensamento dela me enquadrar em “bloguete” (como se fosse algo negativo ter um blog). Bem, como em toda profissão existem bons e maus profissionais, na área de blogs é a mesma coisa. Existe a blogueira com conteúdo e a blogueira de look do dia, por isso não da para generalizar, então quando vejo alguém generalizando fico muito decepcionada e descrente dessa forma de “jornalismo”.
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Olha, eu não sou uma bloguete montada, não vivo de blog, e mais ainda, não aceito esse pensamento provinciano de uma jornalista que deveria ser uma formadora de opiniões e produtora de bom conteúdo, ao invés de ficar dando alfinetadas em um jornal. Tenho blog, assim como tenho minha profissão, tenho um curso superior, trabalho, estudo, leio sobre moda, leio sobre antropologia de moda, sobre sociologia, sobre política e não, não me monto!Mas e se eu me montasse, qual o problema??? Um evento de moda exige sim certa dose de estilo e produção ou vai dizer que o pessoal que frequenta as primeiras filas dos maiores desfiles de moda do mundo não se montam também!? Enfim, esse posicionamento é uma agressão disfarçada contra as mulheres, que deveriam se unir e não se referir a outra como uma “piada”. Ver uma mulher se posicionar dessa forma é desestimulante e vergonhoso, ainda mais quando se trata de uma jornalista que deveria ser a primeira a ter conteúdo suficiente para pensar bem e escrever com consciência.
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Mas não posso culpa-la por esse tipo de atitude, afinal isso esta arraigado em muitas outras mentes no Estado do Espirito Santo. Muitos ainda tem dificuldade em lidar com o novo, em se atualizar e não conseguem pensar em blogs como um veículo de comunicação poderoso, que trabalha com marketing e tem um público fiel! As mentes capixabas mais quadradas veem apenas um monte de blogueiras meninas e nem se preocupam em saber o que cada uma tem a dizer antes de generalizarem como “garotas fúteis”. Isso só demonstra o quanto esse estado esta atrasado em relação às outras capitais, visto que nas semanas de moda mais comentadas do Brasil blogueiras como Thássia Neves e Camila Coelho tem lugar garantido e são tão respeitadas (ou até mais) quanto qualquer jornalista.
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Mas aqui em terras capixabas, o bom mesmo é a blogueira que é bonita para aparecer na coluna social, né!? Por que para fazer parte de um evento de moda são todas dispensáveis. Vai entender!?