Desde que iniciei o projeto #365diasdebrechó sempre fico de olho em brechós no insta e no face, para ver o que tem de bom nos brechós em várias cidades do Brasil. Muitos deles vendem peças vintage selecionadas, de muito bom gosto e cheias de estilo, mas quando vou ver o preço de tais peças sempre acabo levando um susto.

Achei que meus sustos eram só coisas minhas, acostumada a comprar em bazares de igreja pagando baratinho nas peças, é claro que ia me assustar em ter que pagar $200 reais em uma saia usada em um brechó de luxo. Porém, depois que li esse texto aqui da Renata Piza, Redatora-chefe da Elle Brasil, percebi que meus instintos não estavam errados, o brechó gourmetizou!

bluxo02

Em seu texto Renata cita os preços exorbitantes de peças vintages nos brechós de Williamsburg, NY, mas não precisamos nem ir tão longe para ver que o mercado de brechós está mudando e se valorizando diante da alta procura de seus clientes por peças exclusivas e, em tese, mais baratas. Nesse ponto a crise no Brasil tem uma grande parcela da culpa, nesse período as pessoas tendem a reinventar seus negócios e investir em algo que está em alta, que está na moda, aí que entram os brechós.

A ideia de valorizar o brechó é ótima, e seria perfeita não fosse o fato da lei da oferta e procura também se aplicar nesse nicho de mercado. Pois é, quanto mais gente procura os brechós, seja por conta da exclusividade ou dos preços, faz com que o que é vendido ali seja cada vez mais valorizado, assim os preços aumentam e o vintage que já era algo tido como “caro”, eleva ainda mais o seu valor.

Gato-Bravo-novo-vintage-shop-super-trendy-em-SP-1

Gato-Bravo-novo-vintage-shop-super-trendy-em-SP-5

Gato Bravo Vintage (foto: Divulgação)

Além do elevado valor do vintage (diga-se de passagem, vintage = peças com mais de 20 anos), os locais que abrigam essas peças ajudam na cara gourmet que o brechó vem ganhando. São lojas modernas, cheias de conceito, com iluminação diferenciada, peças selecionadas em vários países, vendedores com estilo cool, ou seja, quase uma boutique de roupa usada.

Essa gourmetização tem lá seu lado bom, pois traz a tona um mercado até outro dia rejeitado pelo grande público. Porém, para os fiéis amantes do brechó essa moda gourmet vai acabar pesando no bolso. Mas como o brasileiro é cheio de criatividade já deve estar arrumando novas formas de fazer esse consumo do second hand voltar a ser vantajoso.

Algumas opções que acreditamos são os escambos entre amigos e ideias como o Projeto Gaveta que também promove a troca de roupas mas com distribuição de “moedas” por roupa entregue que no dia do evento pode ser trocada por outra roupa. Ao fim e ao cabo, o importante é não se deixar abater por esse raio gourmet, afinal, ainda existem os bazares de igreja e lá as peças ainda continuam baratinhas. Fica a dica ein!?

Um beijo,

assinaturadepost