Essa semana um bafafá na internet por conta do uso do photoshop chamou minha atenção. A revista Glamour, vez ou outra, para inovar abre uma votação ao seu público leitor para escolher a parte mais importante de uma revista: A Capa! A revista coloca em votação duas opções no facebook e pede que suas leitoras opinem e escolham a foto que mais gostam. Até aí, nada demais, na verdade há algo de muito interessante em deixar essa decisão com o público, e o resultado teria tudo para dar certo, não fossem os comentários negativos que surgiram por um suposto exagero de tratamento nas fotos das opções de capa.

A atriz da edição que estava em votação é a Juliana Paes. Uma mulher linda, que com certeza tem muitos cuidados com a beleza por causa da sua profissão e que foi totalmente produzida para ser a capa de uma revista, com stylist, maquiador, cabeleireiro, iluminação top, fotógrafo top, etc. Mas a atriz ficou tão perfeita, e tão impecável nas fotos que logo os comentários acusando o uso abusivo do photoshop ganharam espaço nas redes sociais. Abaixo as fotos em questão para que você possa tirar suas próprias conclusões.

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Juliana Paes – Votação de capa da revista Glamour

Foram tantos os comentários falando do tal exagero de photoshop que até a diretora de redação da revista, Mônica Salgado que defende muito as fotos mais naturais, fez questão de fazer um post explicando tin tin por tin tin de como é usado o programa nas edições de arte da revista. No post ela explica que a maioria dos retoques são feitos no cenário e na iluminação da foto. As vezes para tirar o amassado de uma roupa, outras para ajustar tons de pele, ou seja, o normal que TODAS as revistas do mundo usam e fazem. E ela até mostrou um exemplo de mudanças feitas com o photoshop na capa da Paula Fernandes, para comprovar que o que ela estava dizendo era verdade.  ( o post completo da Mônica você pode ler aqui).

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A foto do antes e depois do uso do photoshop para a capa da Paula Fernandes para Glamour.

Bom, eu acompanhei os comentários, eu li o post da Mônica, e o que mais consegui pensar nisso tudo foi: QUAL O PROBLEMA COM O PHOTOSHOP? Por que as pessoas andam implicando tanto com ele? Por que uma revista não pode usá-lo? Por que as pessoas estão tão sedentas de “fotos reais” ou “pessoas reais” onde elas nunca existiram? Por que ao invés de simplesmente escolherem uma capa (coisa rara publicações fazerem isso) as pessoas preferem questionar, reclamar, acusar, encontrar defeitos, julgar, mal dizer. Por quê?

Revistas usam de edição de fotografia desde sempre, as capas sempre foram perfeitas e elas TEM que ser perfeitas para que a leitora se sinta instigada a comprar, a ler, a criar vínculo, a criar um laço com o objeto/marca. Entendo que a internet e os blogs nos apresentaram muitas mulheres reais, e que exaltar a beleza natural da mulher em suas diferentes formas vem se tornando algo cada vez mais disseminado no mundo, acho isso ótimo! Valorizo mesmo que cada mulher se reconheça e se valorize, mas se ela também quiser usar o photoshop, não é uma opção dela? Onde está a liberdade para cada uma fazer as suas escolhas, independente de quais sejam?

Sei que tem muita mulher querendo se ver representada em capas de revista, e que ao ver uma mulher muito perfeita ela não se identifica e é aí que sobra para o photoshop. Mas mulheres, entendam: as capas nunca são feitas com mulheres reais, mulheres donas de casa, que trabalham e ralam, e sim com celebridades, ricas, famosas, produzidas, e lindas, que com uma produção bem feita ficam quase perfeitas mesmo. Nós queremos nos identificar com as mulheres da capa, ver a realidade, mas ao mesmo tempo também queremos uma capa que nos inspire e nos faça desejar ser cada vez melhor, isso por que somos mulheres, somos humanas. As revistas servem para isso, para nos trazer o que há de belo e não pense que quando digo belo falo só das celebridades, ok!?

O fato de eu não achar problema o uso do photoshop não quer dizer que eu também não seja a favor de uma capa real, sem edições. Um exemplo de capa que foi um sucesso, chamou a atenção e fez as mulheres baterem palmas de pé, foi a capa da edição digital da Elle com a jornalista plus size Ju Romano. Segundo a própria Ju não houve uso de photoshop no seu corpo, todas as dobrinhas estavam lá pra exaltar a mulher real, e isso fez com que muitas se identificassem com ela, criando e reforçando o vínculo das leitoras com a revista.

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Enfim, só pra finalizar, que esse papo se esticou além do que devia, o meu objetivo com esse post era só pra dizer que existem vários tipos de capas de revistas, que sempre vamos querer nos sentir representadas, mas que o uso do photoshop não é o fim do mundo. As revistas sempre vão usar desse artificio, mesmo que traga modelos mais reais para a sua capa, como foi o caso da Ju Romano (que usou photoshop para correção de iluminação e um provável gaussian blur também). Acho que podemos apreciar as duas formas de capa, e entender que cada uma tem o seu valor, cada uma tem seu objetivo e ambas funcionam, apesar de diferentes. O mais importante no final das contas, é que a capa venda a revista, e é isso que precisamos entender.

Um beijo,

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