Pra começar, gostaria de salientar que esse texto é apenas um relato da minha experiência pessoal e de coisas que EU acredito. Se tiver algo que você discorde, tudo bem, peço que pense com o coração antes de expor o que pensa nos comentários, combinado!? Afinal, cada um vê as coisas de uma forma e ninguém no mundo sabe exatamente como funciona o universo espiritual em sua plenitude. A ideia desse texto é mostrar para algumas pessoas como a mediunidade é algo bom e que não precisa ser temido. NÃO HÁ O QUE TEMER! OK?

Do começo

Eu nunca imaginei que fosse medium, sério! Quando eu era criança, minha vó insistia para que eu fizesse a catequese, na época ela era católica (hoje é evangélica) e queria que eu seguisse esse caminho, mas por algum motivo sempre achei a igreja chata, a catequese chata, e sempre fugia, nunca terminei a 1° comunhão. Minha mãe, por outro lado, sempre me contou histórias de como ela via e ouvia espíritos, ela lia cartas, gostava de coisas místicas, e sempre afirmou ser pagã (Wiccan). Confesso que essa coisa mística me chamava muita atenção, mas como eu não tinha o dom da visão nem falava com espíritos, a ideia de ser médium era bem distante pra mim. A verdade é que eu nunca me prendi a ideia de ter uma religião, eu sabia que minha ligação com Deus não precisava dessa intermediação, então nunca me liguei nas outras possíveis religiões.

Mas eu cresci, a vida começou a parecer sempre meio bagunçada e sem sentido, e eu me sentia vazia, incompleta. Era um sentimento bem particular, que nunca dividi com ninguém, mas foi nessa época que decidi que conheceria outras religiões, mas não tinha em mente por onde começar, apenas decidi isso e guardei para mim. Um dia, uma amiga chegou e me chamou para ir em uma fraternidade umbandista com ela, ela disse que a mãe dela tinha ido uma vez e que queria ir la conhecer. (Pra quem acredita que o universo conspira ao nosso favor, ta aí uma prova que aconteceu comigo, e vive acontecendo até hoje.) Ela não sabia da minha decisão, apenas me chamou para ir la, um dia, assim do nada, e eu fui. Simples assim!

Fui e não abandonei mais. Essa minha amiga só foi nessa vez comigo e nunca mais voltou, rs, foi apenas usada para me levar no lugar que eu já estava procurando sem saber. Na primeira vez já senti algo diferente, a energia do lugar mexia muito comigo, sentia o corpo todo amolecer e vibrar, sentia uma paz e uma sensação de leveza indescritível só de estar naquele ambiente. Ouvir os pontos e sentir o cheiro da defumação com arruda e alecrim me deixava muito feliz. E foi na minha 5° visita a casa que ouvi pela primeira vez o “Você é Medium menina”.

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Meu lado místico: incenso, pedras, guias, etc.

Sou medium, e agora?

Na hora não entendi o que isso significava, mas meu corpo sentia as vibrações, e eu sentia muita emoção por estar ali, chorava de felicidade, parecia que eu tinha encontrado o meu lugar, apesar do susto de saber que eu era medium. Os guias diziam que eu precisava trabalhar, desenvolver minha mediunidade e entrar pro terreiro para fazer a caridade. Essa era uma decisão que eu precisava tomar, mas com muito respeito e dedicação, ser medium é algo muito sério, então aproveitei o recesso de fim de ano do terreiro que eu estava frequentando e fui ler sobre isso tudo. Mediunidade, espiritualidade, umbanda, orixás, guias, caboclos, pontos, sim, eu fui aprender e entender melhor onde eu estava prestes a entrar.

Foi lendo e conversando com pessoas mais experientes que eu que pude compreender que TODAS as pessoas são mediuns em potencial, uns com maior ou menor intensidade, mas somos todos capazes de trabalhar em parceria com o universo espiritual. Foi assim estudando que entendi que ser medium de incorporação na Umbanda foi uma decisão que tomei antes de encarnar nesse plano. Essa foi a forma que eu escolhi para resgatar minhas dividas espirituais, ajudando as pessoas e servindo como intermediária para os meus amigos espirituais poderem trabalhar, fazendo a caridade para as pessoas nesse plano material em que vivemos.

Foi no dia-a-dia, dentro do terreiro que fui desenvolvendo minha mediunidade, fui aprendendo a incorporar, aprendendo que trabalho com vários amigos espirituais, e que na Umbanda os espíritos são evoluídos SIM, e que eles se vestem de caboclos, preto velho e erês como uma forma de se aproximar em sua forma das pessoas mais humildes, uma forma de representar os povos que viveram, (e vivem) no nosso país. É para eles também uma forma de humildade, não precisam parecer médicos ou doutores para ajudar e curar pessoas. Pode até ser que sejam mesmo, mas não precisam se mostrar assim para fazer o trabalho do bem.

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Imagens encontradas na web. Como funciona a incorporação e o trabalho dos mediuns com os guias

Sobre a mediunidade

Ter curiosidade pelo sobrenatural, sensibilidade para sentir energias, ter uma fé muito forte, intuição muito apurada, são alguns dos indícios de que talvez você seja um medium que precisa começar a desenvolver a mediunidade, para trabalhar em pról da caridade.

Desenvolver a mediunidade deixa a vida mais leve e mais suave. Existe um mito de que um medium não pode parar de desenvolver porque os guias espirituais cobram e a vida não vai pra frente. Isso é um MITO! Na verdade acontece ao contrário. Os seus guias, estão ao seu lado para te proteger, são como se fossem o famoso “anjo da guarda” e jamais fariam algo para te prejudicar, o que acontece é que sem desenvolver a mediunidade ficamos mais suscetíveis a ataques espirituais por parte de irmãos que estão perdidos e nos desejam fazer o mal. Quando passamos a desenvolver entramos em sintonia com espíritos de bem (nossos guias) e essa relação nos ajuda a criar um escudo de proteção, fazendo com que os espiritos perdidos tenha muito mais dificuldade para nos atacar, e assim a vida fica bem mais fácil, mais leve. Então, se paramos de trabalhar e desenvolver esse escudo vai se enfraquecendo, e ai os espiritos perdidos começam a nos incomodar novamente. É um mecanismo muito simples, e sem mistério, por isso é importante desenvolver a mediunidade com seriedade e amor.

Ser medium é estar em desenvolvimento constante, sempre. Não existe um médium pleno, que já aprendeu tudo o que precisava, estão todos sempre aprendendo algo, por mais experientes que sejam. O trabalho do médium é servir como intermediário para ajudar o plano espiritual a trabalhar no plano material.

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Ajudando a preparar a festa de Cosme e Damião (Erês) na Fraternidade Canabibi – Vitória/ES

Falar sobre mediunidade é bem complexo, porque envolve muitas sensações e sentimentos e se eu for descrever aqui tudo com detalhes esse texto vai ficar infinito. O importante, que eu gostaria que todos soubessem é que não há o que temer na mediunidade. Espero que nessa breve descrição do que conheço e vivi vocês consigam entender isso.

Se tiverem duvidas, perguntas ou quiserem saber de algo específico, deixem nos comentários. Vou adorar responder e falar um pouco mais sobre a Umbanda e espiritualidade como um todo.

Espero ter esclarecido um pouco mais as coisas, aproveitando, se você quiser saber melhor, de uma forma mais geral como funciona a mediunidade leia mais sobre o assunto, eu indico muito O Livro dos Mediuns do Allan Kardec. É um livro de perguntas e respostas sobre mediunidade, apesar de ser bem voltado ao espiritismo ele tira muitas duvidas para quem é Umbandista também

Até a próxima,