Não é de hoje que vivo um grande dilema interno entre querer ser bem sucedida e me entocar no meio de algum mato do interior desse Brasilzão. Acredito que muita gente também fique nessa dúvida, nessa crise entre escolher uma vida possivelmente luxuosa na cidade ou a simplicidade da casinha com uma terra pra plantar. No começo eu achava mesmo que isso tinha a ver com a lua, o astral e o meu horóscopo, que era uma duvida dessas que a gente tem porque tem que amadurecer, porque tem que tomar as decisões certas, porque a responsabilidade bate na porta e a gente precisa decidir o que fazer com ela, a sociedade e o mundo nos cobram isso, é inevitável. Mas hoje em dia percebo que essa dúvida foi criada em minha mente por que é um reflexo do que as pessoas esperam de mim que bate de frente com o que seria o meu extinto natural.

Pois bem, em 2016 tomei uma decisão, escolhi a cidade grande, me mudei pra São Paulo e vivo hoje na capital mais lotada do país mas tenho que admitir: a ideia de uma casa na roça ainda me cerca os pensamentos e assistir o filme Capitão Fantástico fez isso se fortalecer ainda mais como um plano de fuga pro futuro.

Capitão Fantástico

O filme Capitão Fantástico foi dirigido por Matt Ross e conta a história de um casal que decidiu criar seus 6 filhos, literalmente, em uma casa no meio do mato. As crianças são educadas em casa pelos pais, que não mentem para os filhos e falam sobre todos os assuntos abertamente, além de manter uma rotina de leitura de grandes autores, esportes, meditação, ensinamentos de primeiros socorros e exaltar a importância do contato direto com a natureza, por isso as crianças aprendem a caçar e cultivar o que vão comer e a valorizar o alimento.

O filme nos mostra um mundo sem a internet, crianças extremamente focadas e conectadas com a natureza e com elas mesmas. O enredo do filme envolve outras situações, mas a sensibilidade da relação entre os personagens e a vida que levam é o que mais me chamou a atenção, me despertou um desejo muito forte de colocar esse tipo de vida em prática.

Capitão Fantástico

O pai das crianças, Ben (Viggo Mortensen) vez ou outro dá aquela alfinetada básica no capitalismo e deixa bem claro para seus filhos o quanto esse sistema é uma doença. Enfim, o filme tem várias passagens maravilhosas, sacadas geniais, é uma mistura de comédia e drama bem leves feitos para pessoas com forte estrutura emocional, pois é bem difícil assisti-lo e não começar a pensar imediatamente em tudo que está errado na forma como vivemos atualmente.

É um lindo lembrete pra gente pensar em se voltar mais para dentro de nós mesmos e procurar tomar as decisões mais focadas em nosso bem estar físico, mental e espiritual, acima de luxo e riqueza. É aquele tipo de filme que toca a gente tão profundamente que nos faz querer mudar o rumo da vida, o mais rápido possível.

Capitão Fantástico Capitão Fantástico

Fazia tempo que eu não assistia algo tão bom, tão sensível, com uma mensagem verdadeiramente inspiradora, uma trilha sonora e fotografia impecáveis e sem sombra de dúvidas a melhor versão da música “Sweet Child O’ Mine” do Guns n’ Roses.

Pra quem anda revendo sua forma de ver o mundo e querendo começar mudanças significativas, assista o filme. Você não vai se arrepender. ♥

Capitão Fantástico Capitão Fantástico Capitão Fantástico Capitão Fantástico